A economia de Rolândia passa pelas estradas rurais Rodrigo Stutz

A economia de Rolândia passa pelas estradas rurais Destaque

Os agricultores afirmam que boa parte das estradas rurais estão em condições ruins, pedem mais agilidade do poder público na manutenção

Em Rolândia, segundo a Secretaria de Agricultura, as mais de 40 estradas rurais somadas passam de 250 quilômetros. Por elas circulam anualmente centenas de toneladas de grãos, frutas, hortaliças e criações animais.

A geração de boa parte do PIB (Produto Interno Bruto) do município está diretamente ligado às estradas rurais. Estradas vicinais que são utilizadas para a entrada e saída de insumos, escoamento da safra e produção de todo o tipo de culturas agrícolas além de produtos animais como bovinos, suínos, caprinos, ovinos, equinos, alevinos e aves.

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O Sindicato Rural Patronal revela que uma grande parte da manutenção das estradas é feita em parcerias público privado, quando os próprios agricultores ajudam na manutenção com equipamentos, óleo diesel e até mesmo com recursos em dinheiro. Todo este esforço é feito para manter o mínimo de trafegabilidade nas vias rurais e amenizar os prejuízos que são causados.

Antônio Carlos Mendonça é funcionário do Sindicato Rural Patronal e arrisca dizer que cerca de 40% do PIB da cidade é gerado pelo agronegócio, e isso demostra a importância do setor para o município. A precariedade das estradas rurais, segundo Mendonça não é uma atribuição apenas desta gestão pública, mas uma dificuldade que os produtores rurais sempre enfrentaram. “Um transtorno não só relacionado à produção agrícola, mas também uma questão social pois atrapalha as famílias que moram no campo, as crianças que precisam estudar, a condução das pessoas que precisam ir e vir pelos mais diversos motivos”, destaca.

Para Mendonça as estradas sempre estiveram ruins, e agora, depois das chuvas de janeiro de 2016 estão piores ainda em uma situação extremamente precária.

manchete do povo rural manchete do povoDiretor do Conselho Fiscal do Sindicato, Irineu Sella, relata que os agricultores devem ter o trânsito livre pois eles não têm hora para usar as vias. “Não só para trabalhar, mas também para as famílias usarem no dia a dia, indo para escola, para o hospital (...) não pode esperar chover e estragar para arrumar, deve ser feita a manutenção adequada”. “A qualidade de vida das famílias do campo depende das estradas rurais”, enfatiza.

Proprietário da Fazenda Carambola, Benedito Miguel Schauff, produz cerca de 20 mil sacas de grãos e relata que o produtor fica refém de uma logística que não se pode dominar ou controlar, pois depende de como estará as condições das estradas na hora de escoar a safra.manchete do povo rural manchete do povo 3

Paulo Bizeti tem duas propriedades em Rolândia e revela que se ele não estivesse cuidando da estrada ela já teria acabado. “Eu acho que está faltando profissionalizar o pessoal que trabalha nas estradas (...) eles pegam a terra daqui e joga pra lá (...) falta técnica na hora de fazer a manutenção”, aponta.

Trabalhando meio período fica difícil fazer a manutenção das estradas

A prefeitura adota o regime de seis horas de trabalho por dia para todos os funcionários públicos. Antônio Carlos Mendonça afirma que essa carga horária de meio período é um grande problema na hora de realizar as manutenções adequada das estradas rurais. “O funcionário público leva cerca de uma hora ou mais, para chegar no local do trabalho, às vezes começa a fazer o serviço depois das 9 da manhã, quando é 11 horas já pára porque tem que vir embora para sair do serviço as 13h, então de fato produzirão apenas duas horas no dia”.

Perdendo dinheiro

Uma das dificuldades do poder público é a disponibilidade de recursos para realizar as manutenções nas áreas rurais. Porém, como explica Mendonça, muitas vezes a cidade perde verba por questões burocráticas, ou por não realizar certos convênios. Ele dá o exemplo do ITR (Imposto Territorial Rural), que todos os proprietários rurais pagam anualmente, assim como se paga o IPTU na área urbana.

Depois de 2009, os municípios do Brasil podem ficar com 100% do recurso arrecadado nos caixas da própria prefeitura. Porém, segundo Mendonça, Rolândia perde 50% dessa verba por não ter um convênio com a Receita Federal. “Um imposto que está sendo pago pelos agricultores e poderia estar retornando através de melhorias no campo, mas que não está sendo aproveitado”, lamenta.

O pedido do Sindicato é que a prefeitura faça esse convênio, para que 100% desse imposto fique na cidade. Além disso seja feito um fundo Rural com uma conta específica na qual seria colocada essa verba destinada a benefícios para a área rural. “Para que tenha assim um recurso contínuo para a área rural”, finaliza.

Continua...

Esse tema irá voltar na próxima edição do jornal MANCHETE DO POVO. Uma série de reportagens relativas ao agronegócio local será veiculado todas as semanas.

Sobre as estradas rurais e o ITR o sindicato pede respostas do poder público. “Gostaríamos de informações sobre quanto é arrecadado de impostos rurais pela prefeitura (...) porque ainda não foi feito o convênio com a receita federal? ”, questiona Mendonça.

Estas questões serão abordadas na semana que vem. A reportagem também explanará sobre as responsabilidades sobre a fiscalização das estradas e condições de manutenção das vias.

Sobre o Autor

Sou formado em Marketing & Propaganda (2004) e também em Jornalismo (2015) pela Unopar. Trabalho com Comunicação Social há mais de 15 anos e sou  proprietário do Jornal Manchete do Povo.

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    Queijo doceNo sítio Nova Esperança, de 20 alqueires no Km 7, José Márcio Signori produz em parceria com Alfredo Roberto Mazzocut, cerca de 2,5 mil unidades por mês dos queijos coalho, minas frescal e colonial da marca Alimento Salas.

    A produção do leite, feita por Signori serve de matéria prima que é utilizada por Mazzocut na fabricação dos queijos que são distribuídos nos mercados de Rolândia há sete anos.

    Os dois produtores trabalham no campo desde que nasceram e revelam que tiram o sustento de toda a família do trabalho rural. Para Mazzocut e Signori a maior dificuldade na área rural são as estradas e carreadores.

    Tanto para escoar a safra, fazer a logística dos produtos ou receber os insumos a maior preocupação é em relação ao transporte das famílias. “Imagina uma pessoa doente em noite de chuva que precisa de uma emergência acaba ficando preso na propriedade”, alerta Mazzocut.

    Com grandes despesas no campo, falta de segurança o grande êxodo das famílias está relacionado à falta de estrutura no meio de transporte. “Dificilmente vai ficar uma pessoa da área rural sem ter como sair de casa por causa das estradas”, lamenta Signori.

    Ele relata que foi informado que a prefeitura é proibida de colocar máquina nos carreadores particulares, mas ele destaca que as pequenas indústrias agrícolas não conseguem dar as devidas manutenções nas estradas.

    Porém deste 2002 a LEI 2957 autoriza a prefeitura realizar melhorias nos carreadores privados em sistema de parceria com os pequenos proprietários rurais. Em resumo, a prefeitura disponibiliza maquinário e recursos humanos, tendo em contrapartida o custeio dos gastos com combustível pelo proprietário. “É muito caro pra fazer a manutenção, mas com certeza podemos pagar o óleo e o dia do maquinista (...) mas eles (prefeitura) alegam que não podem por máquinas na propriedade”, garante.

  • Integração e diversão na hora de aproveitar o que é produzido no campo

    Nesta segunda e terça, 15 e 16 de maio aconteceu através de iniciativa do Sindicato Patronal Rural de Rolândia um curso direcionado para as mulheres do núcleo feminino da Cocamar

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    Cerca de 15 mulheres apreenderam técnicas e formas de utilizar a mandioca na culinária. Frederico Leonneo Mahnic, instrutor do SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) explica que o objetivo dos cursos é fomentar a transformação do alimento. “Ensinamos aqui hoje novas formas técnicas para aproveitar a mandioca”, ressalta Frederico lembrando que foram 15 pratos diferentes ensinados nestes dois dias.

    A coordenadora do núcleo, Maria Filomena Felix Marcato, lembra que todos os meses novas atividades são realizadas com objetivo de integrar, apreender e se confraternizar com as mulheres ligadas as atividades agrícolas. “Tudo isso visa o máximo de aprendizado usando tudo que é produzido em nossas propriedades”, ressalta.

    Antônio Carlos Mendonça, colaborador do sindicato ressalta a importância desta integração entre as mulheres. “Além da integração do produtor com a cooperativa e sindicato os cursos ajudam na formação profissional”, finaliza.

     

    Confira as fotos: 

     

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