Sem segurança homem do campo se abriga na cidade

Sem segurança homem do campo se abriga na cidade Destaque

A falta de segurança no campo é um dos principais motivos para o êxodo rural e as famílias se obrigam a mudar-se para a cidade com medo dos constantes ataques a propriedades rurais

As famílias estabelecidas no campo há gerações, cresceram e conhecem a qualidade de vida que existe em viver na área rural. Porém, há alguns anos estas famílias se veem obrigadas a mudar-se para a cidade pois não têm segurança no campo e os bandidos tornaram praxe o roubo às propriedades rurais formando até quadrilhas especializadas que procuram por defensivos agrícolas, armas, dinheiro e até maquinários.

Daniel Alfredo Rosenthal, presidente do Sindicato Rural Patronal de Rolândia relata que a falta de segurança no campo é um problema nacional e até mundial. Para ele as autoridades não estão dando a devida importância para o grave problema que assombra os agricultores. “O que nos revolta é que a segurança não é prioridade para o governo (...) ao que parece prioridade é manter cargos de confiança (...) a gente sabe das dificuldades que o Estado tem em falta de verba, porém não vemos ninguém falando em apertar o cinto”, lamenta.

O presidente conta que já teve em reunião no Batalhão de Polícia Militar em outras épocas e foi informado que a polícia não tem estrutura suficiente para atender a área rural. “Eles estão tirando leite de pedra, pois faltam total condições para a polícia fazer seu trabalho com segurança e eficiência”, aponta.

Para Daniel o problema vai além, pois se estão roubando é porque têm pessoas comprando os produtos rurais furtados.

Uma história de medo

Morando no sitio Levy próximo à cidade por vários anos, a família do senhor Claudio Michael Levy hoje se vê obrigado a mudar para a cidade.

Ele conta que em março do ano passado passou por momentos de terror com a família. Ao chegar de Londrina, por volta das 20 horas, seu filho de 11 anos desceu do carro para abrir o portão e ao entrar na garagem Levy escutou um grito: “Era meu filho”.

Quando se deu conta o garoto estava no chão e um homem com uma arma em sua cabeça já o havia rendido. A descer do carro Levy foi rendido por outro assaltante e também com uma arma na cabeça foi obrigado a seguir adiante. A mãe da família ao ver a cena fechou a porta da casa com a intenção de chamar a polícia, porém o bandido, com seu filho nos braços ameaçou atirar no menino caso ela não abrisse a porta.

Foram momentos de terror sob a ameaça dos marginais que pediam dinheiro, armas e joias. Depois de algum tempo a mãe conseguiu acionar um alarme silencioso que alertou o caseiro, já orientado a chamar a polícia. Ciente da situação o funcionário então soltou um fogo de artifício e os assaltantes, achando ser tiros, empreenderam fuga em uma camionete da família.

A polícia localizou o veículo horas depois caído em um rio ao lado da ponte, onde possivelmente os bandidos perderam o controle do carro e bateram, deixando para traz parte dos objetos roubados e uma arma usada na ação criminosa. “Foi com essa arma que ele ficou batendo na minha cabeça dizendo que iria me matar”, lembra.

Depois disso a família se mudou para a cidade e até hoje o menino tem medo de ficar na propriedade. “Chega de tardezinha quando começa a escurecer ele já pede para ir embora (...) Meu filho adorava morar lá, mas agora ninguém quer voltar (...) tínhamos todo o conforto e vivíamos bem (...) aumentou nosso custo e diminuiu a nossa qualidade de vida”, lamenta Levy.

O agricultor faz um adendo relacionado ao direito de portar arma de fogo e à lei de desarmamento. “Eu deveria ter o direito de ter uma arma, já que as autoridades não conseguem desarmar os bandidos” finaliza. Outro ponto citado por Levy é a relação dos órgãos dos direitos humanos. “Até agora ninguém dos direitos humanos veio perguntar como está a minha família”, enfatiza.

Manchetes revela a dura realidade

“Ladrões com facão roubam 44 galinhas em sítio de Rolândia”

“Um outro roubo à propriedade rural chamou a atenção da mídia em janeiro. Na cidade vizinha a Rolândia, em Pitangueiras (57 km de Londrina), um suposto latrocínio acabou com a morte de pai, filha e do caseiro do local”.

“...Eles invadiam propriedades e usavam violência com crueldade, apontando armas para a cabeça das famílias. Entravam nas propriedades a procura de defensivos agrícolas, armas e dinheiro”. 

Manchetes como estas assustam e tornam o trabalho do homem do campo uma atividade cada vez mais de risco. Um local que antes encontrava tranquilidade agora é motivo de terror e trauma para as atuais e próximas gerações.

Continua...

Este tema é abrangente e requer maior atenção, por isso a reportagem irá continuar tratando da questão nas próximas edições tentando entender quais são as dificuldades das autoridades e suas principais demandas para combater a criminalidade no campo.

Foto: Sesp/MT

Sobre o Autor

Sou formado em Marketing & Propaganda (2004) e também em Jornalismo (2015) pela Unopar. Trabalho com Comunicação Social há mais de 15 anos e sou  proprietário do Jornal Manchete do Povo.

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