Alpinista Industrial afirma que falta de fiscalização coloca em risco a vida dos trabalhadores

Alpinista Industrial afirma que falta de fiscalização coloca em risco a vida dos trabalhadores Destaque

Após publicar a matéria na internet sobre acidente com queda de plano elevado (VEJA A MATÉRIA Homem cai em fosso de luz de prédio em construção) um leitor pediu para se pronunciar. Marthos Daniel Carvalho Gamba é Alpinista Industrial cadastrado desde 2015 e atuante na área há 15 anos. Ele aponta para a falta de responsabilidade do empregador, pois afirma que coloca na obra pessoas sem qualificação. “Quem tem qualificação não se coloca em perigo”, afirma.

Ele se refere às normas para utilização de equipamentos de segurança em uma obra. Segundo Marthos é obrigado por LEI seguir uma série de normas para construções acima de 2,5 metros de altura.

Vale pontuar que durante a reportagem foi questionado a três funcionários da obra que garantiram estar usando os equipamentos de segurança. Porém o Marthos afirma que fica evidente o descumprimento das normas. “Só pelo que eu vi na reportagem estava lá uma obra sem uma linha de vida e sem proteção de bordas”, aponta.

Marthos se mostra indignado com a falta de respeito às normas e revela que realizou diversas denúncias ao Ministério do Trabalho responsável pela fiscalização dos canteiros através dos inspetores de obras. “Quando eles vão na obra, aceitam a NR 35 e desconsideram as regras do anexo 1 de acesso por corda”, garante.

A NR-35 (Norma Regulamentadora para Trabalho em Altura), estabelece que os profissionais autorizados que executam atividades de acesso por cordas devem comprovar sua proficiência na atividade, cujo estado de saúde foi avaliado, tendo sido considerado apto para executar essa atividade e que possua anuência formal da empresa. No anexo 1 considera-se acesso por corda a técnica de progressão utilizando cordas, com outros equipamentos para ascender, descender ou se deslocar horizontalmente, assim como para posicionamento no local de trabalho, normalmente incorporando dois sistemas de segurança fixados de forma independente, um como forma de acesso e o outro como corda de segurança utilizado com cinturão de segurança tipo paraquedista.

Para Marthos mais de 90% das obras com mais de 2,5 metros de altura não atendem às normas, pois atendem apenas parte da NR 35 e não respondem ao anexo 1 que são novas exigências implementadas desde 2015. “Seguir as normas e contratar profissionais qualificados custa caro (...) tem equipamento de pessoas que trabalham nas alturas é uma cadeirinha feita de um pedaço de madeira, um pedaço de corda e 200 metros de corda de bombeiro, isso sai por 400 reais, enquanto que um equipamento básico para acesso por corda (que segue as normas) fica no mínimo 5 mil reais (...) uma pessoa não certificada cobra cerca de 80 reais a diária enquanto um profissional certificado cobra 300 reais”, calcula.

O alerta de Marthos é para que o Ministério Público do Trabalho faça valer a LEI e os empregadores coloquem a mão na consciência, pois para economizar fazem com que pais de família se sujeitem a trabalhar em situações de perigo.

Tanto o CREA quanto o MPT ainda não retornaram aos questionamentos feitos pela reportágem. O CREA Londrina indicou um contato por E-mail do departamento responsável, porém por duas vezes foi tentado contato sem retorno. O MPT não atendeu os telefonemas para o número indicado pelo tribunal do Trabalho de Rolândia. A reportagem ainda continua tentando contato com as duas instituições.

Sobre o Autor

Sou formado em Marketing & Propaganda (2004) e também em Jornalismo (2015) pela Unopar. Trabalho com Comunicação Social há mais de 15 anos e sou  proprietário do Jornal Manchete do Povo.

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    Texto:e Fotos: Arapongas 190 / Rolândia 190

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