Ministério Público quer novo Julgamento de acidente que matou quatro pessoas em londrina Ricardo Chicarelli/Grupo Folha

Ministério Público quer novo Julgamento de acidente que matou quatro pessoas em londrina Destaque

O promotor Thadeu Augimeri de Goes Lima apresentou recurso à juíza da 1ª Vara Criminal de Londrina, Elisabeth Kather, para realização de um novo julgamento de Rodrigo Aparecido Martins, 26 anos, que, na madrugada do dia 2 de setembro de 2012, bateu violentamente com o Fiat Marea que conduzia contra uma árvore na esquina da Avenida Saul Elkind com a Rua Francisco Marques de Oliveira, zona norte de Londrina. Além de Rodrigo, outras cinco pessoas, incluindo uma adolescente de 15 anos, estavam no carro. Com o impacto, quatro morreram. 
 
As vítimas foram identificadas como Maiara Cristina de Oliveira Aleixo, 20 anos, o esposo dela, Joel da Silva Aleixo, 20, que faleceram na hora, Lincoln Mateus Soares, 21, e Débora Paulino da Silva, 21. Os dois últimos ficaram internados em hospitais da cidade, mas não resistiram aos graves ferimentos. A adolescente ficou ferida, mas sobreviveu. No início de outubro, Rodrigo foi levado a júri e terminou condenado a quatro anos, dez meses e vinte dias, pena que cumprirá em regime semiaberto. Ao longo da investigação, ele não foi preso. 

No julgamento, o Conselho de Sentença transferiu a infração de homicídio doloso (quando há intenção de matar) para culposo. Diferentemente do argumento do Ministério Público, os jurados concluíram que o acusado não fugiu. Em depoimento à polícia no dia seguinte ao acidente, Rodrigo disse não se lembrar da pessoa que o retirou do local e o levou até sua residência. Ele também confirmou que tinha ingerido três garrafas de cerveja e não conhecia nenhuma das vítimas. 

Sobre o acidente, Rodrigo alegou que colidiu o carro contra a árvore porque teve a visão ofuscada pelo farol de um veículo que vinha em sentido contrário. Segundo o advogado Everton Santana Alves, que defende o investigado, essa foi a versão defendida desde o início do processo. "Em uma reportagem exibida por uma emissora de TV local, o Rodrigo aparece nas imagens perambulando pela região do acidente. Ele permaneceu até a chegada do Samu e da autoridade policial, o que desconfigura a hipótese de omissão de socorro", pontuou. 

De acordo com Alves, "o condutor, em razão da gravidade do ocorrido, não tinha condições de acionar alguém para auxiliar no resgate dos feridos". Sobre o pedido do Ministério Público de anulação da decisão e remarcação de um novo júri, o advogado afirmou que "a defesa sustenta que tudo transcorreu dentro das formalidades exigidas". (Rafael Machado/Grupo Folha) 

Alta velocidade 

Um laudo elaborado pelo perito criminal Luciano Bucharles registrou que o Fiat Marea conduzido por Rodrigo Martins, antes do acidente, trafegava pela Avenida Saul Elkind em direção à Angelina Ricci Vezozzo em alta velocidade. Antes de atingir a árvore, o rodado esquerdo do veículo chocou-se contra o meio-fio, possibilitando o avanço sobre o canteiro central da via. 

Segundo o Instituto de Criminalística, no momento da perda do controle do Marea Rodrigo trafegava a uma velocidade mínima de 117 km/h, 134% do nível máximo permitido no endereço, que é 50 km/h. O perito também identificou que "há farta sinalização vertical presente neste pedaço da Saul Elkind". (R.M.) 

"Queríamos uma punição mais dura" 

Ainda é difícil e doloroso para o pedreiro Arlindo Matozo Aleixo, 54 anos, relembrar daquele que ele considera "como uma pessoa 100%". Na madrugada do dia 2 de setembro de 2012, o filho dele, Joel da Silva Aleixo, na época com 20 anos, perdeu a vida em um grave acidente na Avenida Saul Elkind. "Sempre foi um cara bacana. Logo aos 12 anos, levei ele para aprender a ser servente, o que ajudou na formação do caráter de gente honesta. Com 15 anos, ele conseguiu uma vaga em um mercado e nunca mais parou de trabalhar", disse. 

Em 2010, Joel e Maiara se casaram. O fruto do relacionamento chegou dois anos depois, um bebê que, na época do acidente, estava com oito meses. "Ele completa seis anos em janeiro. Hoje, tento preencher o espaço de pai deixado pelo Joel, mas é impossível ocupar esta lacuna. Pai é um só". 

Pai de Maiara, esposa de Joel que também morreu no acidente, o consultor Oseias Correia Oliveira disse à reportagem que "a criança era a alegria" da filha, se referindo ao bebê do casal. "O pensamento dela e do Joel era cuidar da família, comprar uma casinha e crescer na vida". Ela trabalhava na empresa que promoveu a festa de confraternização. 

"A Maiara, assim como o Joel, não conhecia o Rodrigo e nem as outras vítimas. Eles pegaram uma carona na hora. Eu fui acordado repentinamente por uma ligação do seu Arlindo. Ele me contou do acidente. Quando chegamos, vimos os dois naquela situação. O coração dói bastante quando relembro aquela cena", alegou Oliveira. 

Os dois pais, que compareceram ao julgamento de Rodrigo Aparecido Martins no começo de outubro deste ano, defendem uma punição mais severa ao motorista. "Ele pegou quatro anos, mas não vai ficar preso. Fiquei surpreso com esta condenação leve por ele ter provocado a morte de quatro pessoas. A minha filha faleceu e deixou um bebê de oito meses". Arlindo Aleixo criticou a decisão do júri. "Precisa de um novo julgamento. Ele precisa pagar pelo que fez de uma forma justa".

Rafael Machado
Grupo Folha

Sobre o Autor

Sou formado em Marketing & Propaganda (2004) e também em Jornalismo (2015) pela Unopar. Trabalho com Comunicação Social há mais de 15 anos e sou  proprietário do Jornal Manchete do Povo.

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