Desculpem o transtorno, mas preciso falar que escrevi uma crônica! - por Rafael Lima

Desculpem o transtorno, mas preciso falar que escrevi uma crônica! - por Rafael Lima Destaque

Passei a vida escrevendo, mas nunca fui escritor. Vivo mais no mundos das ideias que no mundo real. Quando eu era criança, eu e meu primo escrevíamos gibis, eu desenhava porque amava desenhar, ele pintava porque eu odiava pintar. Fazíamos em folhas de sulfite, depois grampeávamos. Ficava tudo fora de ordem, a página 2 era a última, a 4 era a penúltima, só ficava certo o meio. Eu falava: “ainda bem que nunca vamos publicar isso”. A gente ria e guardávamos em uma caixa, mais uma história do Homem Aranha que eu já devia ter lido em algum lugar, mas achava que tinha criado.
  

Lembro que no colégio criei com um dos meus amigos, um universo totalmente complexo, cheio de mistério e fantasia, que se escondia em uma quebrada atrás de uma plantação medonha de eucalipto. Essas histórias eu não escrevia, apenas contava em forma de conto com meu amigo nas aulas de história, geografia e artes. Me arrependo, se eu tivesse escrito, talvez hoje seria a minha obra prima. 

 

Na adolescência  eu queria ser músico. Passava horas compondo com a banda que tinha com os meus amigos, depois eu lia e pensava: “acho que já ouvi isso em alguma música do Legião Urbana”. Comecei a estudar inglês e comecei a escrever tudo naquela língua, e acompanhar com riffs na guitarra. No final era só mais uma música do Foo Fighters que eu achava que estava compondo. Joguei na caixa. 

 

Anos depois larguei a vida de “músico” e “voltei a escrever quadrinhos” junto com um outro amigo meu. Maratonamos todos os filmes de Faroeste do Clint Eastwood e do Sérgio Leoni para podermos escrever uma HQ de Faroeste. Assistimos todos os filmes e series com temas medievais para escrever uma história medieval. Todas as tardes depois do colégio, e nunca terminamos uma história. Colocamos tudo na caixa.

 

Já  comecei a escrever livros, filmes e séries. Jamais vou confessar que escrevi quase 10 temporadas para uma série do Batman, e na época nem existia Netflix. Então me juntei com alguns amigos e tivemos a brilhante ideia de criar um canal no YouTube para os curta-metragens que pretendíamos fazer. No começo era pra ser de humor, mas tudo que a gente escrevia o Porta dos Fundos já tinha feito. Tentamos escrever curta de terror, romance, drama etc. Fracassamos lindamente, nunca chegamos a gravar, sequer chegamos a terminar algum roteiro. Todas as ideias foram jogadas na caixa.  

 

Já escrevi peças de teatros, contos, cartas, poemas, até um soneto, que depois descobri que não podia ser um soneto porque não respeitava as regras de soneto, então apelidei de poesia . Mas eu nunca terminei o que começava a escrever, e mais uma vez tudo foi pra caixa. Um dia eu perdi essa caixa. Se ao menos eu a tivesse até hoje, penso eu que poderia fazer um documentário sobre um escritor que não escreve. Ou então eu poderia, pelo menos, relembrar toda a minha infância, adolescência e quando eu perdi a criatividade, como estou fazendo agora escrevendo essa crônica, que aliás, em todos esses anos de “escritor” foi a única coisa que eu terminei.

 

Sobre o Autor

Sou formado em Marketing & Propaganda (2004) e também em Jornalismo (2015) pela Unopar. Trabalho com Comunicação Social há mais de 15 anos e sou  proprietário do Jornal Manchete do Povo.

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