Danilson abre a “CAIXA PRETA” e revela que dívida chega perto de 15 milhões

A presidente do Sindicado dos Trabalhadores da Saúde, Marli de Castro, acredita que a dívida com acertos trabalhistas ultrapassa os R$2 milhões de reais, sem contar os valores devidos a funcionários que não ingressaram com ação e fornecedores que também estão sem receber. Em levantamento preliminar feito por membros que assumiriam a nova diretoria, o total da dívida do hospital ultrapassaria os R$11 milhões de reais, porém com a formação de uma comissão administrativa os valores levantados até agora são bem maiores.

O presidente desta comissão, José Danilson, que assumiu o hospital há duas semanas revela que o custo estimado mensal da instituição é de R$1,36 milhão de reais porém a receita é de aproximadamente R$1 milhão de reais, deixando um difícil mensal em torno de R$360 mil reais.

Segundo apurado por ele a dívida do hospital hoje chega próximo de 15 milhões de reais. Para se ter uma idéia as dívidas com funcionários, INSS e fornecedores chegam a aproximadamente R$3,8 milhões.

Danilson garante que nestas duas semanas ocorreram avanços significativos em relação a um aporte do estado e quanto a possibilidade de a prefeitura fazer o Requerimento Administrativo assumindo de vez o hospital. “O Deputado Cobra está arrumando um PLUS com a secretaria de saúde do estado de 10 parcelas de R$200 mil reais que depende de um plano de ação feito pelo hospital para a liberação do recurso”, explica.

Para o presidente da comissão com a intervenção do Município e a ajuda do estado em seis meses será possível levar o equilíbrio financeiro para o hospital.

O empresário e ex-vereador José Danilson ressalta que um dos fatores que levaram à falência financeira do São Rafael foi o fato de o poder público ter usado a instituição para terceirizar a contratação de servidores públicos. “Desde quando era vereador em meu primeiro mandato eu já alertava que a terceirização de mão de obra era um péssimo negócio, pois deixou as dívidas trabalhistas, além de que o percentual repassado era abaixo do que se paga para a iniciativa privada”, aponta.

Ele afirma que outro fator foi a ineficiência do município em prestar o atendimento básico nos postos de saúde que acaba sobrecarregando o hospital.

Quanto à Requisição Administrativa para a intervenção do Município Danilson é categórico em afirmar que se a prefeitura não assumir o hospital irá fechar com certeza. “Nesse momento ela é extremamente necessária, pois caso contrário não será possível salvar o hospital e ele irá fechar”, alerta.


Prefeitura analisa possibilidade de assumir o hospital

Matéria publicada no site da Câmara de Vereadores informa que em reunião realizada no gabinete do prefeito interino, José de Paula Martins, nesta terça (11), a administração pública decidiu estudar a possibilidade de a Prefeitura de Rolândia assumir a direção do hospital São Rafael através de um Decreto Municipal.

A assessoria do Prefeito explica que o departamento Jurídico do município fará uma reunião com o Ministério Público na qual apresentará a proposta e, caso seja aceita, José de Paula dará prosseguimento ao estudo de viabilidade para a intervenção.

Segundo MP prefeitura pode fazer intervenção, mas terá que indenizar os proprietários

O promotor público informa que uma das opções emergenciais para evitar o fechamento do Hospital é a intervenção municipal do São Rafael

“Decretar uma Requisição Administrativa assumindo definitivamente a estrutura do hospital prestando serviço diretamente para a população”, é o que aponta o promotor Público, Thadeu Augimeri de Goes Lima, da 3ª promotoria de justiça, responsável pela saúde. Ele  explica que a Constituição Federal permite que o poder público requisite bens e propriedades privadas quando forem casos de necessidade pública. Segundo ele obviamente a prefeitura teria que arcar com as questões indenizatórias pela intervenção, e esta seria uma opção em caso de situação limite. A dívida do hospital pode chegar a R$15 milhões e a prefeitura poderia, uma vez assumindo o hospital ter que arcar com o valor.

São Rafael pode ser interditado pelo CRM até dia 2 de setembro  

Em entrevista exclusiva ao MANCHETE DO POVO o presidente do CRM Paraná afirma que o Hospital São Rafael não tem condições de continuar funcionando da forma que está, pois sem estrutura para os médicos trabalharem os pacientes estão correndo sérios riscos

O presidente do CRM (Conselho Regional de Medicina) do Paraná, Dr. Luiz Ernesto Pujol, veio pessoalmente de Curitiba inspecionar o Hospital São Rafael na última sexta-feira (07). Ele esteve acompanhado de uma comitiva técnica averiguando as instalações do Hospital e as condições de trabalho dos médicos e funcionários.

Diante das péssimas condições, ele deu três semanas para que os novos administradores solucionem os problemas, caso contrário poderá fazer uma interdição ética e fechar o hospital. “Há uma quase percepção que essa é uma estrutura inviável”, lamenta. Pujol explica que o hospital poderia ser interditado devido às condições atuais, porém dará um voto de confiança para os novos administradores.

Ele relata que o CRM já havia dado um prazo de 90 dias para que a instituição regularizasse os pagamentos dos médicos, fizessem novas contratações e regularizassem as condições de trabalho. Este prazo vence no próximo dia dois de setembro e caso até lá essa situação não se resolva Pujol não descarta a possibilidade de uma interdição. “Eu não pretendo interditar, não é essa nossa intenção (…) E me preocupa muito quando os médicos estão expostos a riscos por um administração que foi ao meu ver incompetente”, aponta.

A diretora técnica responsável pela UTI, Dra. Fabiana Mansano, revela que a Unidade de Tratamento Intensivo esteve próximo de fechar no último dia 5e só não aconteceu por intercessão direta do deputado Cobra Repórter junto ao secretário estadual de saúde, Michele Caputo Neto que se comprometeu em dar um aporte de 200 mil reais por mês ao hospital durante 10 meses. Ela afirma que se trata apenas de uma promessa do Estado, e até o momento o município não se comprometeu com nenhuma ajuda.

Fabiana destaca que os médicos não pararam os trabalhos devido a promessa do Estado e também pelo compromisso que a nova administração fez em regularizar as condições do hospital o mais rápido possível.

Caso a comissão que assumiu o hospital não resolva os problemas, o CRM poderá de fato realizar a intervenção. “Se houve, alem da má qualidade na gestão, um outro fator que pudesse ter determinado esse caos em que o hospital chegou, não nos cabe apurar (…) essa é uma questão administrativa e quem sabe policial”, finaliza.

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