Norte do Paraná soma 60 casos de hanseníase em 2017

Em Rolândia foi registrado três casos da doença popularmente conhecida como lepra. Na região os números variam entre casos em Cambé, até 35 casos em Londrina. Nas outras cidades como Bela Vista do Paraíso, Centenário do Sul, Primeiro de Maio, Sertanópolis e Tamarana foram registrados um caso da doença, seis em Ibiporã, quatro em Jataizinho e dois em Porecatu.   

Dentre a faixa etária onde foram registrados casos na região estão pessoas com idade entre 15 e acima de 80 anos. O maior índice da doença está entre as faixas de pessoas entre 35 a 64 anos. Segundo a dermatologista Cristina Aranda, aproximadamente 90% da população tem uma proteção genética que impede de ser contagiada, mas 10% ainda estão vulneráveis a endemia. De acordo com a Fundação PróHansen do Paraná,essa porcentagem coloca o Brasil no segundo lugar do ranking mundial de casos descobertos anualmente.

O Boletim Epidemiológico da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde de 2014 mostra que o país detectou mais de 31 mil casos naquele ano, um nível de detecção geral de 15,32/100 mil habitantes, considerado altíssimo. Nos últimos 10 anos, registrou-se uma média anual de 49 mil novos casos, atrás, apenas da Índia, com densidade populacional 15 vezes maior e população duas vezes mais pobre que a do Brasil, onde em 2015 foram registrados em nosso país 13% de todos os casos do mundo.

Mas o que é Hanseníase?

A hanseníase é uma doença crônica e infectocontagiosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae. De acordo com reportagem do G1, na Europa da Idade Média, as vítimas eram isoladas em centros criados pela Igreja Católica, que sustentava a ideia de que as lesões no corpo representavam a impureza religiosa do paciente. Os enfermos recebiam roupas diferenciadas e objetos que emitiam sons para que outras pessoas identificassem a presença de um doente no local. 

Com o avanço da ciência, descobriu-se que a transmissão acontece pelo contato da bactéria com as vias respiratórias, assim como a gripe, e não pelo toque, apesar de a doença atingir a pele; e somente os pacientes com grande quantidade da bactéria e em estágio avançado e sem tratamento podem transmitir a doença. 

A hanseníase causa a diminuição da sensibilidade e dormência nos nervos periféricos, que não estão no crânio nem na coluna vertebral, e sim nos braços, pernas e pés. Na maioria dos casos, é indolor e, no começo, apresenta manchas esbranquiçadas ou avermelhadas pelo corpo. A evolução da doença provoca incapacidades físicas que podem gerar deformidades graves, caso não haja tratamento.

Como tratar?

Um autoexame é possível de ser feito passando algodão em cima e ao redor das machas para sentir se há dor ou sensibilidade diminuída. Caso a suspeita seja positiva, deve-se procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima; em Londrina são 54 UBSs, sendo 12 na zona rural. 

Cristina Aranda explica que é comum que pacientes demorem de três a cinco anos para procurar ajuda médica, já que não há dor. Entretanto, a partir da segunda semana de tratamento a doença não é mais transmitida, o que diminui, também, o preconceito social vivido pelo paciente. 

O tratamento é inteiramente gratuito, realizado pela rede pública, e se dá por meio de medicamento via oral e acompanhamento médico. Em estágios iniciais, ele dura 6 meses até ser finalizado. Em graus mais avançados leva-se, em média, um ano até que o paciente seja curado. 

Fonte Portal O Bonde 

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